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20 de Novembro – Dia da Consciência Negra

A próxima sexta, dia 20, será feriado municipal em mais de 1.000 cidades brasileiras, em homenagem ao Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida por ter sido o dia em que Zumbi dos Palmares, ícone da cultura negra, foi assassinado em 1695, após anos de luta e resistência contra a escravidão. A história da chegada dos negros africanos ao Brasil é triste e cheia de dor. Além do trabalho escravo, eles também eram forçados a se converter ao cristianismo, recebiam nomes portugueses e eram repreendidos violentamente ao expressar sua cultura natal.

Por isso, foram se agrupando e formando os quilombos, comunidades onde podiam se expressar livremente, relembrando suas tribos e comunidades em solo africano. Aos poucos, a cultura africana foi deixando de ser ‘estrangeira’ para entrar definitivamente no DNA da cultura brasileira.

A cultura afro-brasileira tem suas origens naquelas pessoas de traços fortes e pele escura, que sabiamente mesclaram seus conhecimentos e práticas com o que aprendiam com os índios e até com os europeus. Se hoje nos orgulhamos de ser um povo múltiplo, muito devemos aos africanos que compartilharam conosco sua culinária, dança, música, artesanato e religião. Você sabia que os pratos típicos baianos como acarajé, vatapá e caruru levam em sua composição o azeite de dendê, extraído de uma palmeira africana trazida ao Brasil em tempos coloniais? E que a capoeira, esporte que foi reconhecido como o único genuinamente brasileiro, foi criada pelos escravos para que pudessem se defender de seus inimigos? E o que dizer do candomblé e da umbanda, religiões nas quais encontramos diversas semelhanças entre seus orixás e os santos católicos? Além do samba, ritmo símbolo do Brasil no exterior, que também é fruto das batucadas promovidas pelos negros nas senzalas. Isto que nem entramos na composição étnica da sociedade, onde 53% da população brasileira é composta por negros e pardos.

consciência negra
A capoeira foi criada pelos escravos, na época do Brasil-Colônia (Foto: Canstock)

Aproveite o movimento em torno do assunto promovido pelo Dia da Consciência Negra para se aprofundar nas raízes da cultura afro-brasileira. Fique de olho nos eventos que promovem palestras e debates temáticos, além de mostras de filmes, exposições culturais e show musicais. Se estiver em São Paulo, aproveite para fazer uma visita ao Museu AfroBrasil, que fica dentro do Parque Ibirapuera e que conserva um acervo de mais de 6 mil obras entre pinturas, esculturas, fotografias, documentos, etc; contemplando aspectos religiosos, culturais e artísticos das culturas africana e afro-brasileira.

Que a cada ano, o dia da Consciência Negra sirva para exaltar a importância histórica da cultura negra em nosso cotidiano e, acima de tudo, que ajude a promover o respeito e a igualdade entre todas as pessoas.

(Por Renata Sklaski)